Quero de forma bem simples explicar o uso de correntes de aço comum entre Consagrados à Santíssima Virgem Maria por meio do Método de São Luis Maria Grignon de Monfort.

Que correntes são essas?

A Igreja Católica Apostólica Romana, expressa sua fé de várias maneiras. Uma delas é a expressão por meio de sacramentais, sinais, símbolos.

Os consagrados à Jesus por Maria por meio do Método de São Luis seguem uma tradição de fé iniciada por homens e mulheres que deram testemunho de santidade e que passaram a usar esses sinais( correntes, colares, argolas de ferro) como sinal de sua Escravidão à Jesus Cristo por meio de Maria.

Onde no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem cita essas correntes?

236. [...]Terceira prática: É muito louvável, muito glorioso e útil para aqueles e aquelas que assim se fazem escravos de Jesus em Maria, que usem umas cadeiazinhas de ferro. Estas ser-lhes-ão um sinal da sua Escravidão de Amor, e serão bentas com uma bênção própria. Estes sinais exteriores não são, na verdade, tão essenciais, e uma pessoa pode passar bem sem eles, embora se tenha abraçado a esta Devoção. Mas os escravos de amor sacudiram as cadeias vergonhosas da escravidão do demônio, a que o pecado original e talvez os pecados atuais os tinham reduzido. Por isso não posso deixar de louvar aqueles e aquelas que se sujeitaram voluntariamente à gloriosa escravidão de Jesus Cristo, e se gloriam, com São Paulo, de estar em cadeias por amor de Jesus Cristo (Ef 3, 1). Estas cadeias são mil vezes mais preciosas, embora de ferro e sem brilho algum, que todos os colares de ouro dos imperadores.

Mas quando começaram a usar esse sinais?

Seguimos apenas o testemunho e a prática de homens e mulheres que viveram essa Santa devoção dando testemunho cristão e de santidade.

 

242. Estes escravos de amor de Jesus Cristo, estes prisioneiros de Jesus Cristo, podem usar as cadeias ao pescoço, nos braços, à cintura ou nos pés. O Padre Vicente Caraffa, sétimo Geral da Companhia de Jesus, que faleceu em odor de santidade em 1643, trazia uma argola de ferro nos pés, como sinal da sua servidão, e dizia que lamentava não poder arrastar publicamente as suas cadeias. A Madre Inês de Jesus, de quem já falamos, usava uma corrente de ferro em volta da cintura. Alguns outros usaram-na ao pescoço, como penitência pelos colares de pérolas que tinham trazido no mundo. Outros ainda usaram-na nos braços, para se lembrarem, nos seus trabalhos manuais, de que eram escravos de Jesus Cristo.
 
Mas o termo escravo não é ruim, e a cadeia não remete à escravidão?
 
Para que não fique dúvidas resta explicar que a palavra escravo não está ligada somente a submissão forçada, significado esse que é bem conhecido em nossa país em consequência da sua triste história com os escravos feudais que sofreram nas mãos de seus senhores. Por isso constantemente as pessoas se estranham quando citamos termos como: Escravos de Maria, Escravos de Jesus por Maria e etc.
 
Então vamos à outro significado da palavra escravo: p.ext. que ou quem está submetido à vontade de outrem, a alguma espécie de poder ou a uma força incontrolável.
 
A força incrontrolável nesse âmbito da Consagração é o AMOR à Jesus, a Maria e à Santa Igreja, nada mais, nada menos.
 
A corrente que usamos como sacramental não é sinal de uma escravidão forçada, e se por meio dela estamos presos à alguma coisa, essa com certeza é o Amor e Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo e ao Amor Maternal de Nossa Senhora.
 
A Igreja desaprova esse uso de correntes?
 
Pelo contrário, A Igreja por meio do Papa Urbano VIII concede até mesmo indulgências para quem devotamente e não só externamente usa as correntes de consagração com sinal de recordação de seu batismo e entrega total a Jesus Cristo por meio de Maria. veja: 
 

Urbano VIII (1623-1644) – Este Soberano Pontífice, consultando sobre as práticas exteriores de nossa devoção, especialmente sobre as correntinhas que os escravos trazem, aprovou tão louvável fervor e deu a 20 de junho de 1631 a bula Cum sicut accepimus, pela qual concede grande número de indulgências aos escravos de Maria Santíssima.Urbano VIII (1623-1644) – Este Soberano Pontífice, consultando sobre as práticas exteriores de nossa devoção, especialmente sobre as correntinhas que os escravos trazem, aprovou tão louvável fervor e deu a 20 de junho de 1631 a bula Cum sicut accepimus, pela qual concede grande número de indulgências aos escravos de Maria Santíssima.

Que esse artigo ajude até mesmo à sacerdotes entenderem esse gesto que nada mais é que uma postura de fé.

Amor à Imaculada Sempre.

 

 
Compartilhar: